Palmeiras e vida

O fim da espera: o Brasil é verde.

Uma das minhas primeiras lembranças futebolísticas foi o gol do Rivaldo que garantiu o título brasileiro de 1994.

Foram 22 anos dos meus 29 de vida esperando pelo dia de ontem.

Nesses 22 anos, vi o Palmeiras dos 100 gols, o gol redentor do Oséas em cima do Cruzeiro (vingando aquela final de Copa do Brasil em 96, aquela em que o Muller abandonou a gente), vi a conquista da América, mas também vi um bicampeonato da maldita série B (nas duas ocasiões eu estava assistindo in loco e comemorei sim a conquista e a subida na bola [coisa que um clube carioca deve até hoje]), e durante todo esse tempo, eu esperei…

Uma das minhas primeiras frustrações com o futebol? Com certeza o Campeonato Brasileiro de 97, dois empates com Vasco dos ídolos Evair (o meu maior ídolo) e Edmundo. E o Palmeiras bateu na trave, junto daquela bola do Alex. Nos próximos 4 anos, morreríamos na praia (ficando pelos mata-mata da vida).

Em 2002 veio o fundo do poço, caímos, um time com bons nomes mas que não encaixou e desabou. Vi surgir o time comandado por Vagner Traíra Love que subiu para a série A e chegou a dar esperança em 2004 mas foi desmanchado. Em 2009 finalmente seguramos a taça, mas foi com uma mão só e quis o destino e o Sr. Muricy que a gente não conquistasse aquele campeonato. Vi times horríveis, vi mais uma queda em 2012, mais uma volta e a quase tragédia no ano do centenário (o empate em 1 x 1 com o Atlético PR que pra mim se tornou inesquecível por dois motivos: primeira ida ao Allianz Parque e um pedido de namoro feito pela minha esposa dentro da Nostra Casa).

Quando o campeonato começou todos duvidavam do nosso Mestre Cuca que tinha afirmado que seríamos campeões, o que se viu depois disso foi o Palmeiras crescendo no campeonato e a mídia e adversários desdenhando do “cavalo paraguaio”, inventaram todo tipo de fofoca para desestabilizar o time e a torcida, fomos alvo de piadas, teve “jornaleiro” criando Cucabol e se tornando Linguabol, teve falso doping, teve punição do STJD, teve jogador na seleção, teve goleiro/capitão machucado, e muito mais coisa pra passar por cima.

Enquanto todos tentavam diminuir a campanha do Palmeiras, a torcida abraçou o elenco, jogadores cresceram, Dudu virou gigante, Jailson o terceiro goleiro virou discípulo de São Marcos, Moisés abriu o meio-campo adversário, Roger Guedes comemorou antes e nem assim zicou, Tchê Tchê passou de desconhecido para dono do meio-campo, Cleiton Xavier voltou pra fazer gols decisivos, Mina dançou, Zé Roberto rejuvenesceu, Jesus chorou e Fabiano fez o gol que arrancou o grito da garganta do MAIOR CAMPEÃO NACIONAL.

Você está de volta, Sociedade Esportiva Palmeiras. #ForzaPalestra

“Joguei por vários clubes. Hoje tenho plena convicção que o Palmeiras é o maior da minha carreira” – Zé Roberto

Entram para história: Fernando Prass, Jailson, Vagner, Vinicius, Fabiano, João Pedro, Egidio, Zé Roberto, Vitor Hugo, Yerry Mina, Edu Dracena, Thiago Martins, Arouca, Gabriel, Thiago Santos, Matheus Salles, Tchê Tchê, Moisés, Cleiton Xavier, Allione, Fabrício, Vitinho, Alecsandro, Lucas Barrios, Leandro Pereira, Erik, Rafael Marques, Róger Guedes, Gabriel Jesus, Dudu, Cristaldo, Luan (acreditem!!)  e Cuca.

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Geral

Em questão de tempo o rap irá te envolver

Nasci em uma família de classe média, estudei em escola particular (e isso não é demérito) mas também cresci em um bairro periférico e lembro de quando eu tinha uns 10 anos, meus amigos já cantavam versos de um dos raps mais emblemáticos do Racionais MC’s: “Aqui estou, mais um dia. Sob o olhar sanguinário do vigia.”, mas em casa rap era coisa de marginal e cresci com essa semente nefasta na cabeça e sei que tem muita gente que também cresceu assim.

Fui crescendo com aquela ideia deturpada, marginalizando o desconhecido. Porque a verdade é que quando você é novo, te plantam uma ideia e você apenas aceita e não vai atrás de conhecer para ver se existe embasamento. Durante minha adolescência houve uma explosão de rap gringo nas rádios (Snoop Dogg, Dr. Dre, 50 Cent, Eminem e tantos outros) e comecei a perceber que muitas pessoas que falavam mal do rap nacional (complexo de vira-lata?) agora pagavam caro em um ingresso para ver os astros do rap estadunidense. Mas, e o rap nacional?

Em 2008 no meio de uma viagem com dois amigos conheci Trilha Sonora do Gueto, voltando da viagem comecei a procurar mais músicas deles, pouco depois um outro amigo me mostrou Facção Central e Ndee Naldinho. Racionais MC’s já conhecia mas nunca havia ouvido de verdade, coloquei pra tocar. A essa altura eu já conhecia pessoas de várias quebradas próximas de onde cresci (Pq. Bristol, Vl. Liviero, Jd. Maristela, Vila Brasilina, Jd. Climax, Moinho Velho, Heliópolis e assim vai) e quando você conhece gente de outros lugares, você acaba conhecendo outras ideias, outras histórias e começa a entender que o rap nacional simplesmente contava a história de vida desses caras. Porque se o cara tem dinheiro e mora num apartamento no Klabin ele não vai escrever sobre passar necessidade, sobre a vida na prisão e tudo aquilo que a sociedade despreza.

Em 2014 finalmente crio coragem para ouvir aquele que mais marginalizei quando novo, muito por conta das notícias de sua passagem: assassinado, envolvido e considerado. Ah o cara era bandido! Então abro o spotify e procuro o nome do cara: Sabotage! Eis que surge o “Rap é compromisso”(o mesmo álbum que ouço enquanto escrevo esse texto), aperto o play. E minha mente é invadida pelas letras e rimas frenéticas, só consigo pensar: Cara, o que é isso? Por que demorei tanto pra ouvir? e a resposta que tenho pra mim é que fui ouvir o som desse monstro quando eu estava preparado para entender que o cara cantava a vida dele. Se eu tivesse ouvido antes, talvez tivesse sido apenas mais um álbum ouvido e não O álbum!

No último dia 17 finalmente foi lançado o álbum póstumo. Foram anos de espera para todo fã de rap (pra mim foram apenas dois) poder apreciar as 11 faixas do álbum SABOTAGE, uma paulada na moleira atrás da outra, não sou crítico de música, produtor, nem famoso mas na minha opinião os caras do Instituto (Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno e Rica Amabis) conseguiram superar o “Rap é Compromisso”, sonoridade, letras, as participações, o álbum todo é uma viagem e letras de 13 anos atrás parecem ter sido compostas ontem.

Meses atrás estava lendo a biografia do Sabotage (Sabotage – Um Bom Lugar escrito pelo Toni C). No dia em que comecei a ler fui a um bar no centro de SP e durante a noite colou um mano na mesa divulgando seu trabalho, me entregou um cd e falou que ia cantar uma das músicas era só eu escolher, escolhi Programado Pra Rimar música que dava nome ao disco, antes dele começar soltou: “essa eu canto em homenagem a Mauro Mateus dos Santos (Sabotage)”. Nem precisava mais cantar, comprei o cd e conheci mais um rapper de talento: Doiz D.

Se eu não tivesse mudado meu pensamento e corrido atrás de entender o que é o RAP de verdade talvez nem tivesse dado atenção pra um moleque colando na mesa do bar, e com certeza muitos fazem isso, pelo simples fato do preconceito intrínseco na sociedade.

Então se você ainda está no primeiro estágio do meu texto (tendo preconceito sem ao menos tentar entender como/onde/porque (aquela palavra que ta na moda hoje: empatia) de determinado artista compor uma letra que foge do que você entende por mundo) pare e pense, faça uma análise e não marginalize quem já é marginalizado. Abra sua mente e quem sabe assim você também comece a desfrutar de sons que nasceram na quebrada: Rap, Funk*, Reggaeton, Cúmbia e os ritmos que ainda virão pela frente.

Sim, existe talento e música de qualidade na quebrada!

*Uma funkeira participando de um show do Andrea Bocelli? Quebrando preconceitos isso não será mais surpresa.

Se tiver interesse em sair da casinha, dá o play:

Doiz D – Programado pra Rimar

Sabotage – Sabotage

Outros projetos legais: Rap em Cartaz e Coletivo Quebramundo

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Palmeiras e vida

Quando o amor acaba.

“As torcidas de Vasco, Palmeiras e Corinthians têm uma particularidade. Só lotam de verdade quando o time está bem. A torcida do Flamengo é diferente disso. Ela vai em qualquer situação e está presente com o time, principalmente nos momentos em que está empolgando o seu torcedor”- Edmundo, 2016

Uma história de amor pode acabar em alguns minutos? Se você for um ídolo de uma grande torcida, com certeza! Tenho 28 anos, cresci no auge do Palmeiras-Parmalat e para essa geração alguns jogadores ficaram marcados, mas dois se tornaram emblemáticos a dupla de ataque Edmundo e Evair.

O segundo com certeza o maior ídolo de toda a geração pós-Divino/pré-Santo. O primeiro foi monstro, tão monstro que se tornou Animal. Mas se pararmos para analisar friamente sempre foi traíra, sua primeira passagem acabou com sua ida ao Flamengo em 1995. Um ano depois veio a facada no peito de todo palmeirense, aceitou ir jogar no maior rival. Graças a San Gennaro não ganhou nada por eles. 10 anos depois de manchar sua imagem, voltou ao Palestra! Foi perdoado. Fez juras de amor ao clube. Juras que voltou a repetir ano após ano.

“Quando cheguei aqui incorporei o espírito do torcedor. Parecia que era eu que estava tanto tempo sem conquista. E sentia que tinha a responsabilidade de dar ao torcedor do Palmeiras a alegria de sair daquela fila, daquele sofrimento” – Edmundo, 2013

Edmundo, se você incorporou o espírito de torcedor, deveria saber que a torcida do Palmeiras lotou estádio nos anos 80, lotou estádio nos momentos mais difíceis dos nossos 102 anos. Você foi perdoado uma vez e agora voltou a cuspir no prato que comeu. Sabe qual a diferença da gente pra você? A gente veste verde por amor e você por dinheiroArrivederci! 

“A mão que afaga é a mesma que apedreja.” – Augusto dos Anjos

 

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Futebol e carreira

Ídolo ou coadjuvante?

Voltando com minhas analogias entre futebol e vida, resolvi questionar e escrever sobre a relação que acredito existir entre a carreira de um jogador de futebol com a de alguns publicitários que conheço (e me incluo nessa lista).

Quem me conhece sabe que sou torcedor do Palmeiras e da Azzurra, e um grande ídolo da seleção italiana sempre me chamou a atenção pelo fato de nunca ter saído do clube que o revelou. Francesco Totti, ídolo da Roma.

Um clube considerado grande na Italia, mas que se analisarmos friamente vemos que não é tão grande assim, tendo conquistado 3 Scudettos, 9 Copas da Italia mas nenhum torneio europeu, números que o deixam bem distantes de seus rivais Juventus, Milan e Internazionale e ainda muito mais distante dos outros gigantes clubes europeus (Real Madrid, Bayern, Barcelona, Manchester United e outros).

Então por que Totti nunca deixou a Roma? Chances não faltaram e aparentemente não se arrependeu, mas deu uma declaração anos atrás.

“Se tivesse decidido ir ao Real Madrid, haveria ganhado três Liga dos Campeões da Europa, duas bolas de ouro e muitas outras coisas”, afirmou o jogador de 36 anos à revista France Football.

A atitude dele é semelhante à de muitos diretores de arte que optam em continuar trabalhando em agências que são pequenas, mas pagam relativamente bem, e normalmente se satisfazem por ser o centro das atenções nesses lugares, onde conseguem ser respeitados sem se arriscar muito. E continuam levando a vida e a carreira assim: sempre mais do mesmo.

Essas pessoas não sonham mais com prêmios? Grandes campanhas?

Mas e se aparecesse a oportunidade de recomeçar em uma agência grande? Cliente grande, alto fluxo de job e um salário muito mais baixo, mas a chance de finalmente decolar no que sempre quis, o que você faria? Ficaria na mesmice e depois de alguns anos faria uma reflexão para dizer o que teria ganho se tivesse ido para a agência X ou arriscaria? A pergunta certa é, o que você prefere ser?

Um ídolo sem títulos ou um coadjuvante campeão?

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Palmeiras e vida

Recomeçar

v.t. Começar de novo; refazer depois de interrupção: recomeçar um trabalho. Retornar a fazer qualquer coisa: recomeçar a chorar. V.i. Começar a ser, a produzir-se novamente: recomeça a chuva.

10 anos se passaram desde a última vez que escrevi em um blog, meados de 2005 lembro até hoje da url palestraitalia.blogger.com.br cheguei a ganhar o prêmio de blog esportivo do mês X em uma votação entre leitores de vários blogs pequenos, com o tempo o meu time do coração foi ficando pelo meio do caminho nas competições e eu fui abandonando o hábito de escrever, muito provavelmente pelo fato de ficar frustrado a cada derrota (e nos anos 2000 foram várias).

Nesses 10 anos quanta coisa mudou, era adolescente rebelde, terminei o colégio no mesmo ano em que abandonei o blog, desisti do sonho de ser jornalista para cursar Publicidade e Propaganda, perdi e encontrei pessoas, realizei muita coisa, fiz muita coisa, viajei pra Itália (que era um sonho de infância) e hoje quando me olho no espelho me vejo adulto, beirando os 30 anos, diretor de arte e assim como muitas pessoas, frustrado.

Durante todo esse tempo apenas uma coisa não mudou na minha vida, o time que escolhi para torcer quando era criança, a Sociedade Esportiva Palmeiras, tema de muitas discussões com amigos, de muita risada e também de choro.

Como não sabia como começar esse blog resolvi falar de recomeço, comecei o blog abandonado em janeiro de 2004 e o futebol brasileiro estava na fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, como eu tinha férias escolares conseguia assistir aos jogos do Palmeiras e me lembro muito bem de dois jogadores, um era meio campo que parecia ter futuro, William (meses depois descobriu que tinha problema cardíaco, conseguiu se recuperar e dar sequência na carreira sem grande brilho) o outro era um atacante alto meio estranho, uma promessa de bom jogador, que chamavam de Salsicha. Rafael Marques, que no mesmo ano subiu pro time profissional, marcou um gol em poucos jogos e foi embora sem deixar saudades.

2015 chegou e junto com ele algumas mudanças, tanto no Palmeiras como na minha vida, o Palmeiras que era tido como um clube falido se reergueu após a reinauguração do Palestra Itália (Allianz Parque) e com a chegada de vários reforços, entre eles RAFAEL MARQUES. Estou escrevendo esse texto um dia depois do Palmeiras ganhar seu primeiro clássico em mais de um ano, 3×0 em cima do rival São Paulo com dois gols de Rafael Marques. Ele que já havia entrado pra história do Palmeiras ao marcar gols no antigo e no novo estádio e mesmo desacreditado vem conquistando seu espaço no time que o revelou 10 anos atrás, o que isso tem a ver comigo?

Tirando o fato de eu ser palmeirense e estar em estado de euforia após a vitória da última noite, como citei o ano de 2015 também é um ano de mudanças pra mim, estou planejando largar minha carreira de diretor de arte e me tornar redator, talvez não dê certo mas depois de recordar sobre a história do atleta citado, quem sou eu para duvidar que a vida pode sim nos dar o que queremos. Mesmo que demore mais 10 anos.

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