Futebol e carreira

Ídolo ou coadjuvante?

Voltando com minhas analogias entre futebol e vida, resolvi questionar e escrever sobre a relação que acredito existir entre a carreira de um jogador de futebol com a de alguns publicitários que conheço (e me incluo nessa lista).

Quem me conhece sabe que sou torcedor do Palmeiras e da Azzurra, e um grande ídolo da seleção italiana sempre me chamou a atenção pelo fato de nunca ter saído do clube que o revelou. Francesco Totti, ídolo da Roma.

Um clube considerado grande na Italia, mas que se analisarmos friamente vemos que não é tão grande assim, tendo conquistado 3 Scudettos, 9 Copas da Italia mas nenhum torneio europeu, números que o deixam bem distantes de seus rivais Juventus, Milan e Internazionale e ainda muito mais distante dos outros gigantes clubes europeus (Real Madrid, Bayern, Barcelona, Manchester United e outros).

Então por que Totti nunca deixou a Roma? Chances não faltaram e aparentemente não se arrependeu, mas deu uma declaração anos atrás.

“Se tivesse decidido ir ao Real Madrid, haveria ganhado três Liga dos Campeões da Europa, duas bolas de ouro e muitas outras coisas”, afirmou o jogador de 36 anos à revista France Football.

A atitude dele é semelhante à de muitos diretores de arte que optam em continuar trabalhando em agências que são pequenas, mas pagam relativamente bem, e normalmente se satisfazem por ser o centro das atenções nesses lugares, onde conseguem ser respeitados sem se arriscar muito. E continuam levando a vida e a carreira assim: sempre mais do mesmo.

Essas pessoas não sonham mais com prêmios? Grandes campanhas?

Mas e se aparecesse a oportunidade de recomeçar em uma agência grande? Cliente grande, alto fluxo de job e um salário muito mais baixo, mas a chance de finalmente decolar no que sempre quis, o que você faria? Ficaria na mesmice e depois de alguns anos faria uma reflexão para dizer o que teria ganho se tivesse ido para a agência X ou arriscaria? A pergunta certa é, o que você prefere ser?

Um ídolo sem títulos ou um coadjuvante campeão?

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Palmeiras e vida

Recomeçar

v.t. Começar de novo; refazer depois de interrupção: recomeçar um trabalho. Retornar a fazer qualquer coisa: recomeçar a chorar. V.i. Começar a ser, a produzir-se novamente: recomeça a chuva.

10 anos se passaram desde a última vez que escrevi em um blog, meados de 2005 lembro até hoje da url palestraitalia.blogger.com.br cheguei a ganhar o prêmio de blog esportivo do mês X em uma votação entre leitores de vários blogs pequenos, com o tempo o meu time do coração foi ficando pelo meio do caminho nas competições e eu fui abandonando o hábito de escrever, muito provavelmente pelo fato de ficar frustrado a cada derrota (e nos anos 2000 foram várias).

Nesses 10 anos quanta coisa mudou, era adolescente rebelde, terminei o colégio no mesmo ano em que abandonei o blog, desisti do sonho de ser jornalista para cursar Publicidade e Propaganda, perdi e encontrei pessoas, realizei muita coisa, fiz muita coisa, viajei pra Itália (que era um sonho de infância) e hoje quando me olho no espelho me vejo adulto, beirando os 30 anos, diretor de arte e assim como muitas pessoas, frustrado.

Durante todo esse tempo apenas uma coisa não mudou na minha vida, o time que escolhi para torcer quando era criança, a Sociedade Esportiva Palmeiras, tema de muitas discussões com amigos, de muita risada e também de choro.

Como não sabia como começar esse blog resolvi falar de recomeço, comecei o blog abandonado em janeiro de 2004 e o futebol brasileiro estava na fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, como eu tinha férias escolares conseguia assistir aos jogos do Palmeiras e me lembro muito bem de dois jogadores, um era meio campo que parecia ter futuro, William (meses depois descobriu que tinha problema cardíaco, conseguiu se recuperar e dar sequência na carreira sem grande brilho) o outro era um atacante alto meio estranho, uma promessa de bom jogador, que chamavam de Salsicha. Rafael Marques, que no mesmo ano subiu pro time profissional, marcou um gol em poucos jogos e foi embora sem deixar saudades.

2015 chegou e junto com ele algumas mudanças, tanto no Palmeiras como na minha vida, o Palmeiras que era tido como um clube falido se reergueu após a reinauguração do Palestra Itália (Allianz Parque) e com a chegada de vários reforços, entre eles RAFAEL MARQUES. Estou escrevendo esse texto um dia depois do Palmeiras ganhar seu primeiro clássico em mais de um ano, 3×0 em cima do rival São Paulo com dois gols de Rafael Marques. Ele que já havia entrado pra história do Palmeiras ao marcar gols no antigo e no novo estádio e mesmo desacreditado vem conquistando seu espaço no time que o revelou 10 anos atrás, o que isso tem a ver comigo?

Tirando o fato de eu ser palmeirense e estar em estado de euforia após a vitória da última noite, como citei o ano de 2015 também é um ano de mudanças pra mim, estou planejando largar minha carreira de diretor de arte e me tornar redator, talvez não dê certo mas depois de recordar sobre a história do atleta citado, quem sou eu para duvidar que a vida pode sim nos dar o que queremos. Mesmo que demore mais 10 anos.

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